“A Liberdade é Azul” (Bleu - 1993) é a primeira parte de uma trilogia filmada pelo diretor polonês Krysztof Kieslowski, que se completa com “A Igualdade é Branca” (Blanc - 1994) e “A Fraternidade é Vermelha” (Rouge - 1994). O filme reflete o pensamento inicial do diretor em busca de um humanismo solidário e fala das dificuldades existenciais e subjetivas encontradas para a sua realização. Toda sensibilidade do cineasta está revelada no texto, nos sons e no enquadramento das cenas iniciais e se manifesta ao longo de quase todo filme.A reflexão mais profunda se dá através de personagens que se cruzam, mas principalmente na tragédia que ocorre na vida de Julie Vignon (Juliette Binoche) após a morte do marido - um maestro e conhecido compositor europeu - e da filha, num acidente de carro. Ao ficar sozinha, ela sente que sua vida perdeu o significado, passando a viver um tipo de liberdade egoísta e totalmente esvaziada de conteúdo.
As perdas são representadas por uma casa vazia e pela envolvente música composta pelo marido morto que ecoa na cabeça de Julie, sem deixá-la viver em paz. É que, num primeiro momento, ela ainda não percebia que existia uma relação intrínseca entre a sinfonia inacabada e a sua vida, também interrompida pelo trauma.
Na busca de um sentido para a vida, ela tenta ignorar o passado, mas aos poucos vai descobrindo que está cada vez mais presa a ele. Ou seja, por mais que ela tente fugir daquela realidade dolorida, sempre surgem sombras que a chamam para “conversar” com a sua verdadeira experiência de vida.
Com o passar do tempo e com a revelação de novos fatos, ela vai descobrindo que não deve mais fugir e que somente o diálogo com as suas lembranças seria capaz de concluir aquelas duas obras incompletas: a sinfonia inacabada e a sua própria vida. Aos poucos há uma mudança na sua postura e ela começa uma nova busca pela harmonia com aquela composição, e isso passa a ser fundamental para o resgate dos seus melhores sentimentos e a trazem de volta para a realidade. Ao permitir a existência de fortes laços com outras pessoas, ela consegue sentir novamente o amor e a amizade, e o passado que tanto assombrava seus pensamentos passa a ser o elo de interação com a possibilidade de uma nova vida.As reflexões sobre a igualdade e a fraternidade aparecem silenciosamente neste filme e depois são aprofundadas nas outras partes da trilogia. Na obra completa (nas três cores) Kieslowski nos diz que a liberdade é vazia se não vier junto com a igualdade e a fraternidade. E vice versa. Ou seja, se alguém não consegue dialogar com outras pessoas é porque ela não aprendeu a compartilhar reflexões e os seus sonhos. Na prática estaria realizando “o nada”! Ou seja, o problema é quando não reconhecemos o que aprendemos e não compartilhamos os nossos afetos.
Assista ao trailer do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=jmQ88PWzvR0
Eu gostaria de saber sobre a sinfonia,quem é o compositor?
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Excluirhttps://youtu.be/9lJeQAFyJgQ
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